domingo, 12 de julho de 2015

Iker vem para jogar. E tu, Helton? Ficas a tocar guitarra?

Quando começaram os rumores de que Iker Casillas podia trocar Madrid pelo Porto, confesso que pensei: "mais vale mudarem o nome do clube para Lar de Idosos das Antas". Contratar um guarda-redes com 34 anos é uma jogada arriscada. Há demasiados remendos nos joelhos, há reflexos mais lentos, há - no caso de Casillas - o peso de muitas polémicas no Real Madrid. 

Iker não tem 20 e poucos anos como a maioria dos jogadores que o FC Porto costuma ir buscar. Iker não é um desconhecido que chega anónimo por meia dúzia de tostões e sai das Antas com nome feito e a lucrar milhões. Iker é sinónimo de campeão do mundo. Não usa fralda nem mama no biberão. Não precisa de dar a mão para atravessar a rua. Não precisa ter o nome nas costas para que saibam o nome dele. Iker Casillas não é um menino, mas é o ídolo de muitos em Espanha. Foram 25 anos a defender a baliza do Real Madrid, desde os nove anos de idade. Ganhou tudo que havia para ganhar. Hoje emocionou-se e chorou na conferência de imprensa de despedida do clube espanhol. Sozinho.

O que menos me importa nesta história é saber se a Sara Carbonero pega no conjunto de malas Louis Vuitton e segue a galinha dos ovos de ouro até à Invicta. Por qué no te callas? Não, o Porto não é Madrid, Sara. O Porto é diferente. Na Invicta arregaçamos as mangas e trabalhamos muito. Não há tempo para siestas nem paciência para aturar meninas bonitas mimadas. Aqui, quando alguém se arma em vedeta, a malta pega em pás e picaretas e manda-os trabalhar. No Porto não temos tapas na mesa, mas damos tapas na cara. Fica em Madrid, Sara. Não é o Porto que não está à tua altura. És tu que não estás à altura do Porto. Também não temos paciência para aturar mães que insultam o novo patrão do filho, mesmo sabendo que o anterior já não o queria e tudo fez para se livrar dele. Iker Casillas está rodeado de gente ingrata e, ainda assim, mostrou gratidão na partida prometendo gritar 'Hala Madrid' em Portugal como em Espanha. É preciso ser homem.

Agora que está tudo azul no branco e que o Estádio do Dragão é de certeza a nova casa do portero espanhol, arrependo-me de ter pensado que Iker Casillas é velho. É maduro, tem marcas do tempo, passeia experiência e tem ainda muito para dar ao futebol. E se quem sabe nunca esquece, estou certa de que irá desviar para fora os ataques dos rivais do seu novo clube. Aqueles, de memórias curtas, que agora gozam com a sua contratação. É que "de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos" e tão infeliz que foi a união de um também guarda-redes espanhol com outro clube português que não o FC Porto. Roberto não deixou saudades por cá. Já Helton vai de certeza deixar, se for atirado para o banco, ainda que as últimas épocas não tenham sido felizes para o jogador brasileiro. Há poucos dias (ou)vi o guarda-redes portista dar música à Afurada, ao lado de Gabriel o Pensador. Em palco, Helton fala mais do que canta. "Vamo tirar uma serfie?" (dito assim mesmo), perguntou várias vezes ao público. Brinca muito o brasileiro. E agora tem também mais meninos para brincar e jogar à bola no recreio do Dragão. Iker vem para jogar. E tu, Helton? Ficas a tocar guitarra?

terça-feira, 31 de março de 2015

Pinto da Costa não está xexé

Afinal, Pinto da Costa não está xexé. Se na semana passada havia dúvidas, depois de o presidente portista ter aparecido numa fotografia ao lado do neto Nuno em estilo rapper, ontem Pinto da Costa mostrou que ainda manda no gang azul e branco. Se na semana passada o líder dos dragões foi avô e desesperou portistas pelas 'figuras' que fez - e deliciou benfiquistas e sportinguistas que de imediato pensaram que Pinto da Costa estava, finalmente, lelé das ideias - ontem o presidente foi, uma vez mais, um homem de família e passou a mensagem de que ainda é ele que manda no Dragão.
Quem ontem deu uma entrevista à televisão do clube foi na realidade Julen Lopetegui, mas o discurso certinho e ensaiado não é do treinador. O espanhol deu a cara e a voz, mas as palavras e a mensagem vieram de cima. Na realidade, foi Pinto da Costa quem disse aos adeptos para acreditarem no título até ao fim e que da força deles precisam para se levantarem depois de terem tropeçado nos próprios pés na Madeira. Foi Pinto da Costa que defendeu o cigano e revelou o orgulho que sente num Quaresma cada vez mais completo e jogador de equipa. Foi também Pinto da Costa que avisou os árbitros que não podem decidir jogos e campeonatos e que falou em erros graves. Da cabeça de Lopetegui creio que as únicas respostas foram só mesmo as que deu à (sempre) tão falada questão da rotatividade de jogadores, defendendo-se - e aqui sim, na primeira pessoa - com o facto de o FC Porto estar ainda em mais do que uma frente, especialmente na Champions.
Pinto da Costa já não vai para novo. Os portistas temem o futuro e estão carecas de saber que dificilmente o clube voltará a ter um presidente assim. Mas a verdade é que, aos 77 anos de idade, Jorge Nuno continua a fazer o que quer. Sem ter medo de parecer gagá. "Largos Dias Têm 100 Anos". Cancelem o internamento na ala de psiquiatria do Magalhães de Lemos. O Rei está vivo. De vez em quando anda nu. Mas está vivo.





sexta-feira, 13 de março de 2015

Olá, o meu nome é Raquel e sou viciada em futebol

Lotação esgotada amanhã na Luz para receber o Braga. "É o poder do Benfica. Não há muitos clubes que consigam encher o estádio como o Benfica faz", diz Jorge Jesus. Se calhar o facto de a Primavera andar no ar, de o jogo ser num sábado às 17h e de os encarnados estarem em primeiro lugar na Liga também ajuda. Digo eu. Pode muito bem ser "o poder do Benfica". Não duvido. Mas é, sobretudo, o poder do futebol. O poder que leva alguém a um estádio para ver 22 homens a correr atrás de uma bola. Que leva alguém a vibrar, a enervar-se, a sofrer, a rir, a festejar, a chorar com os resultados. Que leva alguém a sair de casa, muitas vezes à noite - porque a transmissão televisiva assim o obriga - ao frio, à chuva. O poder que leva alguém a temer o pior e a desejar o melhor quando um daqueles homens cai em campo, inanimado, como aconteceu na última terça-feira com o Danilo no Dragão. Como se de um familiar se tratasse, o adepto sofre, chora, (des)espera por boas notícias, reza. 
Os estádios não andam cheios em Portugal. Na I Liga não andam. Seja porque o bilhete é caro, porque no fim ganham sempre os mesmos, porque a equipa não cativa, porque os resultados não entusiasmam, porque o jogo até dá na televisão. Na maioria das vezes as bancadas não estão repletas. Mas quando o estádio enche há magia no ar. Uma magia que se vê e que se sente. Esta semana vi (e senti) duas vezes essa magia. No Porto-Basileia, vi um Dragão cheio a vibrar (ainda) com o hino da Champions, com golos de outro mundo que fizeram levantar o estádio. Antes disso, num Varzim-Famalicão, recordei-me do verdadeiro significado do futebol: alma. 
Na Póvoa, recuei no tempo e vi garra, vi amor, vi paixão, vi raiva, vi ânimo, vi alegria. É certo que tudo isto também há na I Liga. Mas os jogadores estão 'longe' das bancadas e não sentem o adepto anónimo, só ouvem as claques. Há futebol além da I Liga. E, a dois metros do relvado, vemos avós equipadas a rigor que gritam e dizem palavrões que nunca ouvimos na vida, que "já entraram em campo para dar no focinho a um árbitro". De manhã foram à missa e à tarde vão à bola, que os maridos já se foram ou nunca chegaram e o casamento com o futebol é até que a morte os separe. "Até debaixo da terra". A um metro dos suplentes que fazem o aquecimento, vemos homens de muletas que, num lance mais controverso, se esquecem do pé partido e erguem a dita cuja em jeito de ameaça. Vemos bebés a gatinhar no cimento, vemos as 'tias' da terra nos camarotes do sítio, todas emperiquitadas, vemos putos vidrados no jogo e a sonhar estar do lado de lá um dia. Numa divisão que não a primeira, vemos mas, sobretudo, ouvimos. Aqui não há silêncios nem ninguém sai 10 minutos antes do jogo acabar para não apanhar trânsito. Aqui grita-se tanto que se ouve na freguesia vizinha, protesta-se, entra-se - literalmente - em campo. "A moina não manda aqui" e nem a autoridade os impede de descer das bancadas, num efeito 'arrastão', e de só parar no relvado. 
Futebol é mesmo alma. É acompanhar a equipa em casa e fora, mesmo sem ser da claque. É ter a coragem de aparecer mesmo quando os pontos não aumentam na tabela. É praguejar, barafustar, acreditar. É calor quando está frio, é tradição, é História. Futebol é ir com a família inteira ao estádio - vai o avô, a avó, o marido, a mulher e até a filha, de caderno na mão a fazer o TPC no intervalo - e só não vai o cão, o gato e o periquito porque não calha. Futebol é ter uma mão no ar e outra na bifana, com a gordura a escorrer e a sujar o fato-de-treino tactel. Futebol é Património, é herança que se passa aos filhos. E, por isso, adianto serviço e deixo já aqui escrito, neste testamento, para alguém ler no dia em que deixar de jogar neste campeonato: a quem me amou, deixo a paixão pelo futebol, deixo a alegria de gritar golo, de me agarrar às redes, deixo a dor de chorar e lamentar o acaso, a sorte de festejar campeonatos nacionais, taças UEFA e Liga dos Campeões, de conhecer estádios cá dentro e fora de portas. Deixo um amor que nunca corre o risco de ser ameaçado por um amante, deixo a raça, deixo a atitude, deixo as borboletas na barriga em dias de jogo grande, mesmo quando o jogo é entre pequenos. Deixo o olhar de menina que, armada em rapaz, aproveitava os 'feriados' e os intervalos na escola para, também ela, correr atrás de uma bola e ser feliz. Deixo parte de mim. 



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

De Lisboa com amor

Lisboa trata-me (sempre) bem. Nas vésperas de um FC Porto-Sporting, a rivalidade no futebol não se confunde com um Porto-Lisboa e os mouros estendem a passadeira vermelha à tripeira. Abraços apertados e demorados, almoços bem dispostos e bem regados, troca de galhardetes e piadas, cafés gloriosos e revigorantes com vista para o Estádio da Luz. 
Lá no Porto, 'eles' só querem ver Lisboa a arder. E a Capital, por estes dias, não me desilude e lá vai ardendo, enquanto se driblam as saudades e se mantém a chama acesa entre a terra do Dragão e a Segunda Circular. Só eu sei por que não fiquei em casa. E enquanto o Sporting acorda depois do adeus à Europa, eu passo o(s) dia(s) a dizer 'olá' e a piscar o olho a Lisboa. Pelo menos hoje e amanhã não somos rivais e há muito amor (no ar) e sotaques para dividir até domingo. Num claro empate que sabe a vitória, sem árbitro e sem intervalo. 
E depois lá entramos em campo, com rugidos de Lisboa de um lado e super dragões 'com o Porto até ao fim' do outro, com picardias, com emblemas diferentes no coração e com amores - aí sim - à parte. Um clássico. Mas enquanto não se ouve o apito inicial do Artur Soares Dias, deixem-me saltar com os lampiões, 'partir tudo' na Capital e dizer que 'tripeira eu sou', mas que esta cidade belíssima e esta rivalidade (Porto-Lisboa) fantástica me fazem sempre querer voltar cada vez que daqui parto. La La La La La La La...

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O Vieira não < 3 o Bruno

Não tenho namorado. Hoje, não tenho namorado. Hoje, não vou desfilar no shopping de mãos dadas. Hoje, não vou publicar fotos do almoço ou do jantar romântico do Dia dos Namorados nas redes sociais. Hoje, não vou alinhar na histeria do 50 Sombras de Grey. Hoje, não vou fingir que o amor é fácil e que todos os dias são incríveis. Hoje, não vou comprar uma prenda estupidamente cara para mostrar à minha cara-metade (e ao mundo) o quanto gosto dela. 
Não me interpretem mal: sou pelo amor! Mas para mim o amor está nos restantes dias do ano. Está em cada vez que corro junto ao mar e sinto o vento frio na cara. Está em cada vez que um desconhecido sorri para mim, no trânsito, quando me vê a cantar (e a fazer coreografias) ao volante. Está em todas as vezes que ouço alguém dizer-me "gosto muito de ti". Está em cada vez que grito 'golo' tão alto e com tanta força que fico rouca. Está em cada vez que choro de felicidade. Está em cada vez que revejo o Top Gun, pela enésima vez. Para mim, o amor está em minha casa, quando, todas as noites, vejo os meus pais - casados há 40 anos - adormecerem abraçados. 
Na vida e no amor, reconheço as vitórias porque já sofri (com as) derrotas. Quem diz que nunca sofreu por amor ou é mentiroso ou é parvo. Quem diz que nunca sofreu por amor é certinho que nunca amou. E - que me perdoe Camões - amor é fogo que quando arde, vê-se; é uma ferida que dói e que se sente. Ainda não sei o que é o amor de mãe. Mas sei bem o que é o amor de filha e de irmã. E sei que, por eles, tiro a minha camisola. Pelo Alexandre, pela Lucinda e pela Cláudia viro-me do avesso e faço o que posso e o que não devo. Quebro regras, ultrapasso pela direita, não dou pisca nem peço licença para passar à frente. Discuto, berro, digo o que quero e o que penso, muitas vezes consciente de que entro ainda mais de carrinho do que o Paulinho Santos entrava em campo. Para mim, amar é ser verdadeiro. Dói e sente-se, Camões. O resto é fogo de vista, é um passatempo (alguns duram até uma vida inteira), é esperar que a nossa chamada seja "atendida tão breve quanto possível". E quem, antes de morrer, quiser dizer que viveu - que realmente viveu - mantém-se em linha e não desliga o telefone. Até alguém do lado de lá nos atender.
No amor e na guerra vale tudo. Diz o povo e diz o Luís Filipe Vieira, que não está para amar e arrasa Bruno de Carvalho cada vez que abre a boca. Para o presidente do Benfica não há cá Dia dos Namorados. O anti-amor dos dois clubes da Segunda Circular não é de hoje e, sejamos realistas, nunca terá fim. Vieira e Bruno não passeiam de mãos dadas no Colombo nem no Alvaláxia, um com a mão no bolso traseiro das calças do outro. Vieira e Bruno não trocam juras de amor eterno. Não mandam sms com '<3'. Não aparecem um à porta do outro, a meio da noite, só de gabardine e uma lingerie sexy. Vieira e Bruno não mandam flores um ao outro. Não dão beijos de língua, mas passam a vida no bate-boca. Trocam críticas, ofendem-se, metem o dedo na ferida, vão às pernas e querem lá saber da bola. É só jajão. E se não há respeito não é amor. Mas que ali há tesão, paixão, fogo, faísca...há! 
Em campo ou fora dele, Benfica e Sporting querem - hoje e sempre - comer-se um ao outro (pardon my french). E se todos os clubes andassem enamorados uns pelos outros, não havia competição, só havia jogos amigáveis. O futebol (e tudo à volta) não precisa (nem deve) ser violento nem hardcore. Nem precisa ter very-lights a arder nas bancadas para mostrar que ferve. Mas um campeonato digno desse nome tem que suar a camisola, tem que dar pica e manter a chama acesa. A esta hora, repito, o Vieira e o Bruno não estão a fazer o amor. Nem estarão amanhã, nem depois. Há ódios que só se resolvem de uma maneira, num sítio. E não é nas primeiras páginas dos jornais ou no Facebook. Pelo menos hoje, nesta data especial, arranjem um quarto e façam as pazes.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Chorões 1 - 1 Mijões

Lembrei-me dos bonecos de borracha que simulam comportamentos de bebés mal se ouviu o apito final em Alvalade. O Sporting já cantava vitória e acabou o jogo a chorar com o empate e o Benfica foi 'mijão' e marcou já nos descontos. 
Fora do relvado, nas redes sociais, todos gritam: os sportinguistas dizem que mereciam a vitória, os benfiquistas recordam que continuam à frente na tabela e até os portistas arrotam (de satisfeitos) e batem palminhas. Na verdade querem é todos colinho, mas no fim só ganha quem papar mais pontos. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Até nem tinha pensado comer cachupa, mas assim que ouvi falar deste pitéu...

Ontem à noite quando saí do trabalho - como vos disse aqui - fui ao supermercado. Pelo caminho deu-me um desejo incontrolável de comer cachupa. Como sabem, na minha lista de compras não tinha frango, pé de porco, chouriço, farinheira, toucinho, morcela, milho ou qualquer outro ingrediente necessário para preparar esta iguaria de Cabo Verde. Eu até estava a pensar jantar salmão fumado salteado com grelos, que é mais levezinho para a noite, mas, durante a tarde, no trabalho, ouvi alguém falar de cachupa e fiquei com água na boca. 
Entro no supermercado, já tarde, quase a fechar. Quando chega a minha vez na charcutaria, reparo que já só há um chouriço, mas também é mesmo só um que a receita leva. Peço o enchido ao senhor do talho e este, muito atrapalhado, diz que o chouriço já está prometido a outro cliente, que pediu para o reservar e que "devia estar mesmo a chegar para o levar". Claro está que argumentei com o senhor do talho, explicando-lhe que se o chouriço ainda estava na montra podia ser levado por qualquer cliente, e que dali não abalava sem ele. A muito custo, o homem lá embalou o enchido e vim para casa fazer cachupa. E que bem me soube!
Depois do jantar, já passava da meia-noite - e enquanto fazia a digestão - fui ver como tinha fechado o mercado de transferências de jogadores. E pelos vistos, tal como vos disse antes de ir às compras, o FC Porto foi mesmo buscar o cabo-verdiano Hernâni ao Vitória de Guimarães, oferecendo-lhe um contrato até 2019, com cláusula de rescisão de 30 milhões. O negócio inclui ainda a cedência ao clube minhoto por empréstimo, até ao final da época, dos dragões Sami, Ivo Rodrigues e Otávio. 
Ainda estou a pensar na cachupa de ontem. Não sei se o outro cliente precisava tanto do chouriço como eu, para também preparar uma receita especial. Mas eu não podia ceder. Que quando meto na cabeça que quero alguma coisa, seja porque quero mesmo ou seja por capricho, saiam da frente. E se o senhor que tinha reservado o chouriço e ficou sem ele por minha causa me estiver a ler, desculpe sim? A fome nem era assim tanta, mas assim que ouvi (os outros) falar daquele pitéu de Cabo Verde soube que tinha de o ter no meu prato. Foi assim um desejo de última hora. Quase me soube a pato.