terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Até nem tinha pensado comer cachupa, mas assim que ouvi falar deste pitéu...

Ontem à noite quando saí do trabalho - como vos disse aqui - fui ao supermercado. Pelo caminho deu-me um desejo incontrolável de comer cachupa. Como sabem, na minha lista de compras não tinha frango, pé de porco, chouriço, farinheira, toucinho, morcela, milho ou qualquer outro ingrediente necessário para preparar esta iguaria de Cabo Verde. Eu até estava a pensar jantar salmão fumado salteado com grelos, que é mais levezinho para a noite, mas, durante a tarde, no trabalho, ouvi alguém falar de cachupa e fiquei com água na boca. 
Entro no supermercado, já tarde, quase a fechar. Quando chega a minha vez na charcutaria, reparo que já só há um chouriço, mas também é mesmo só um que a receita leva. Peço o enchido ao senhor do talho e este, muito atrapalhado, diz que o chouriço já está prometido a outro cliente, que pediu para o reservar e que "devia estar mesmo a chegar para o levar". Claro está que argumentei com o senhor do talho, explicando-lhe que se o chouriço ainda estava na montra podia ser levado por qualquer cliente, e que dali não abalava sem ele. A muito custo, o homem lá embalou o enchido e vim para casa fazer cachupa. E que bem me soube!
Depois do jantar, já passava da meia-noite - e enquanto fazia a digestão - fui ver como tinha fechado o mercado de transferências de jogadores. E pelos vistos, tal como vos disse antes de ir às compras, o FC Porto foi mesmo buscar o cabo-verdiano Hernâni ao Vitória de Guimarães, oferecendo-lhe um contrato até 2019, com cláusula de rescisão de 30 milhões. O negócio inclui ainda a cedência ao clube minhoto por empréstimo, até ao final da época, dos dragões Sami, Ivo Rodrigues e Otávio. 
Ainda estou a pensar na cachupa de ontem. Não sei se o outro cliente precisava tanto do chouriço como eu, para também preparar uma receita especial. Mas eu não podia ceder. Que quando meto na cabeça que quero alguma coisa, seja porque quero mesmo ou seja por capricho, saiam da frente. E se o senhor que tinha reservado o chouriço e ficou sem ele por minha causa me estiver a ler, desculpe sim? A fome nem era assim tanta, mas assim que ouvi (os outros) falar daquele pitéu de Cabo Verde soube que tinha de o ter no meu prato. Foi assim um desejo de última hora. Quase me soube a pato. 



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